Existem vários estereótipos culturais entre franceses e brasileiros. Aqui no Brasil, temos a imagem de que eles são rudes, elegantes, com seus lenços e boinas, que vivem com um baguette embaixo do braço e que não gostam de tomar banho, por isso criaram os melhores perfumes. No mundo, existe ainda a ideia de que os franceses, se não estão em greve, estão em férias. Embora exagerados, todos esses estereótipos tem um fundo de verdade. E moi, eu só saberei o quanto isso tudo é mito ou verdade, quando finalmente aterrissar na terra do fromage e ativar meu pariscópio.
Nosso país também possui uma imagem estereotipada no exterior (com essa onda de mulheres-fruta, nem sei se é tão estereotipada assim), consolidada principalmente pelas campanhas de turismo da Embratur, que exploravam a sensualidade das mulheres em suas campanhas de turismo. Associa-se ao Brasil a ideia de praias, carnaval e mulher pelada. Na França, ainda existe o mito de que há muito travesti por aqui. Isso porque existem muitos travestis em Paris e a maioria vem do Brasil. Lá, a artista brasileira mais popular dos últimos tempos atende pelo nome de Salomé de Bahia. A brasileira, radicada em Paris, é produzida por Bob Sinclar (aquele de Love Generation) e mistura pop, bossa nova, dance e imagens carnavalescas, de praias e de futebol = o próprio clichê! O pior é que, segundo um amigo francês, o povo pensa que esse é o estilo musical que domina as terras tupiniquins.
Pior ainda é quando a mídia retrata essas aberrações como realidade absoluta e ainda tripudia, como aconteceu na série de reportagens do Le Petit Journal. No primeiro turno das eleições, a equipe de reportagem veio ao Brasil fazer uma série de matérias sobre o pleito. Foi lamentável, entrevistaram um travesti fazendo top less e até a candidata Mulher Melão, contribuindo ainda mais com a imagem de que aqui não existe seriedade sequer na política – ok, depois da eleição do Tiririca, não temos moral para reclamar.
Quando converso com o Cédric pelo MSN, falamos muito sobre as diferenças culturais entre França e Brasil, e alguns estereótipos. Ele fica impressionado, por exemplo, com o “corpo a corpo” entre candidatos e eleitores - algo que é impraticável na França. Eu tento explicar que abraço é uma demonstração de carinho, sem vulgaridade; que fio dental é normal nas praias brasileiras (o que o deixa horrorizado) e que nem todas as mulheres são vulgares. Ele, por sua vez, tenta me convencer de que os franceses tomam banho todos os dias, que não fumam tanto e que não são tão rudes quanto parecem.
Aproveitando o ensejo, voilà um curta-metragem realizado por Cédric Villain, em que ele brinca com os clichês sobre a França retratados no exterior. A animação é muito digna e verdadeira. Mesmo sem entender francês, é possível fazer uma leitura visual e dar boas risadas, principalmente quando o locutor diz que o monumento mais famoso da capital é uma antena, que lá todos têm uma vista para a Torre Eiffel e que o som do acordeon está em todos os lugares. En regardez!

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